Sete longas décadas de comunismo cobram hoje um alto preço do povo cubano. Após quase setenta anos de um terrível experimento social - mantido, a duras penas, por potências estrangeiras, - a conta do fracasso finalmente chegou.
A obra “A Revolta de Atlas”, geralmente dividida em 3 volumes, é considerada, por muitos, como a magnum opus de Ayn Rand - célebre filósofa e escritora russa, que ganhou a vida nos Estados Unidos, após fugir do comunismo soviético nos anos 1920. Em “A Revolta de Atlas”, temos aquilo que muitos consideram como sendo o único romance já escrito em que o empreendedor é o herói, e não o vilão. Recomendamos fortemente a leitura dos livros, caso você ainda não tenha feito. E vamos deixar, neste vídeo, um link para que você possa adquirir a obra completa, como tarefa literária de casa. Assim, além de aumentar ainda mais o seu conhecimento, você irá ajudar financeiramente este canal com a não muito generosa comissão que a plataforma nos paga.
Mas o que “A Revolta de Atlas” tem a ver com o caso cubano? Bem, vamos dar aqui um breve spoiler sobre a obra - mas não se preocupe, isso não vai atrapalhar em nada a sua experiência. Basicamente, o que vemos acontecer, no decorrer dos livros, é o colapso de uma civilização, que é demonstrado, de forma simbólica, por um apagão completo, que lança todas as cidades na mais completa escuridão. Mais uma vez, a realidade parece imitar a arte, porque é exatamente isso o que tem sido observado em Cuba, o experimento comunista mais adorado pelos esquerdistas latinoamericanos. Basicamente, a ilha dominada pela família Castro está mergulhada na mais completa escuridão, devido à total escassez de energia elétrica.
Não é um exagero afirmar que Cuba enfrenta seu pior momento, desde a revolução comunista de 1959. E não somos nós que afirmamos isso - é a Folha de São Paulo, a grande cara da mídia esquerdista brasileira. Pois é, nem os esquerdistas mais ferrenhos são capazes de negar uma realidade tão gritante. E sim, a falta de energia elétrica é o maior símbolo da brutal crise enfrentada na ilha, em decorrência de décadas de insanidade econômica promovida pelo governo comunista.
Em Havana, são observados apagões diários que duram algo entre 14 e 15 horas. É isso mesmo que você ouviu: o morador da capital cubana tem fornecimento de energia elétrica por menos de ⅓ do dia. Fora da capital, a coisa é ainda pior, com apagões diários que podem durar até 20 horas! Imagine só o inferno que é viver tantas horas por dia sem energia elétrica. Não estamos falando apenas de ficar no escuro: trata-se de não ter ventiladores para o calor, ou mesmo eletrônicos para distrair a mente. Sem Wi-fi para acessar internet com mais qualidade, e sem geladeira para armazenar os alimentos.
Aliás, de que alimentos estamos falando? Pois é, isso também se tornou coisa rara em Cuba. O governo estipulou, há décadas, cartões de racionamento, para que os cidadãos cubanos possam adquirir alimentos “gratuitos” em mercados estatais. Obviamente, isso nunca funcionou de verdade, como era de se esperar. Agora, contudo, a coisa está ainda pior. Há anos, já se reclama que as cotas mensais de alimentos básicos, como arroz e feijão, duram apenas 10 dias. O que o cubano faz para se alimentar no restante do mês? Bem, recomendo que você evite pensar em pombos e ratazanas. Mas isso é passado - que ganha contornos positivos, se comparado com o terrível presente. Hoje, os cartões se tornaram inúteis, porque raramente se encontra comida nos mercados estatais.
Para quem entende um mínimo que seja de economia, a causa dessa escassez é mais do que evidente: todo modelo comunista causa uma notável destruição dos incentivos econômicos mais básicos. A ausência de propriedade privada faz o produtor compreender que os frutos de seu trabalho não lhe pertencem. Além disso, numa sociedade sem preços livres, os sinais econômicos não são claros, e a relação entre oferta e demanda não se equilibra, como acontece em um livre mercado. O preço de um produto é uma informação objetiva, resultado dos custos de sua produção, da margem de cada membro da cadeia produtiva e de inúmeros outros fatores que formam a complexa equação do preço. Quando essa informação objetiva passa a ser tratada como uma opinião subjetiva, o resultado é exatamente o que vemos em Cuba: um decréscimo considerável na disponibilidade de absolutamente tudo - até mesmo dos itens mais básicos, como os alimentos.
É certo que ainda é possível encontrar comida abundante e de qualidade nos mercados cubanos privados, que foram autorizados a partir de 2021. Porém, os preços praticados em tais mercados estão muito além da realidade de um cubano típico. Por lá, uma cartela de 30 ovos custa mais do que o salário médio do trabalhador cubano. Não por ganância dos comerciantes malvadões, mas sim porque o salário mensal em Cuba gira em torno de US$ 7 — um valor incompatível com qualquer economia funcional.
E se você acha que a escassez de energia elétrica e de alimentos é problema suficiente, lhe convido a dar um passo adiante, para falarmos sobre os combustíveis. Uma conhecida anedota diz que a única coisa que o comunismo produz com maestria são filas - e isso se aplica bem a Cuba. Todo cidadão cubano que deseja abastecer seu veículo - certamente uma carroça caindo aos pedaços - precisa agendar o abastecimento através de um aplicativo de celular. Exatamente: não é só chegar no posto e pedir para completar o tanque, como você faz na sua cidade - o cubano precisa fazer um agendamento. Só que a coisa é ainda pior, porque ele precisa fazer esse pedido com pelo menos 3 semanas de antecedência. Esse prazo, contudo, é simbólico - porque geralmente leva mais de 3 meses para o pedido ser atendido. Ou seja: o cubano tem que encher o tanque da sua carroça e rezar para a gasolina não acabar durante esse período.
Na verdade, falta combustível para todo mundo - até para o governo. Por isso, a coleta de lixo urbano quase não é realizada, resultando em um grande acúmulo de lixo nas ruas das cidades. Isso, por sua vez, favorece a proliferação de doenças causadas por mosquitos, que fazem a festa nesse lixo acumulado. Agora, pense que medicamentos também são artigo de luxo em Cuba, sendo praticamente impossível ter acesso a itens básicos a não ser com a ajuda de parentes no exterior, e você vai entender a dimensão dessa verdadeira tragédia humanitária. Mas o importante é que todos têm saúde de graça!
Obviamente, nada disso começou agora. Nós mesmos temos relatado esses problemas por aqui, desde o início do canal. Veja, por exemplo, que desde 2023, pelo menos, o Brasil envia toneladas de medicamentos para Cuba. Não estamos falando de remédios sofisticados: é coisa básica mesmo, incluindo itens de enfermaria, como gaze e esparadrapo. Tudo isso, é claro, foi doado pelo Brasil. Isso mesmo: o pagador de impostos brasileiro está socorrendo o cubano que é vítima da ditadura comunista.
Já a falta de alimentos é um problema ainda mais antigo que, tal como acontece com outras carestias em Cuba, se agravou ainda mais nesta década. Em 2023, mais de 4 milhões de cubanos sofriam de insuficiência alimentar - o equivalente a 40% da população total do país. Estamos falando de um déficit calórico superior a 225 calorias por dia. Se você não faz ideia do que esse valor significa, saiba que isso pode representar uma perda de até 10kg por pessoa - em apenas um ano! E como esses números são de 3 anos atrás, provavelmente a situação atual é ainda pior.
A escassez de alimentos em Cuba se deve, majoritariamente, à brutal queda na produção desses itens, pelos motivos anteriormente citados. Veja que, nos últimos anos, a produção de arroz na ilha caiu 60%, enquanto que a pecuária desabou ainda mais - chegando, no caso da carne suína, a superar os 90%. Não é difícil entender, portanto, o que tem levado o país ao completo colapso - seja ele social, econômico ou mesmo humanitário. E eu sei que eu vou soar repetitivo ao dizer isso, mas a coisa pode sim piorar.
A situação cubana provavelmente vai se deteriorar ainda mais, por causa da queda de Nicolás Maduro, na Venezuela. A verdade é que a Cuba comunista nunca foi um país viável - isso já estava muito bem determinado, desde o princípio. A ditadura cubana sobreviveu esse tempo todo graças ao apoio estrangeiro: primeiro, da União Soviética e da China; e, mais recentemente, dos amigos latinoamericanos, como o Brasil petista e a Venezuela chavista. Pense que os governos petistas forneceram um empréstimo camarada de US$ 600 milhões para Cuba que, obviamente, nunca foi pago. Mas a Venezuela foi ainda mais longe, fornecendo de tudo para Cuba, durante muito tempo - especialmente o petróleo.
Agora, Maduro caiu, e a coisa desandou para o regime cubano. É certo que a Venezuela já não conseguia suprir a demanda da ilha-prisão há muitos anos, por também ser um país destruído pelo comunismo. Ainda assim, Cuba recebia cerca de 30 mil barris de petróleo venezuelano por dia - quantia que, provavelmente, vai ser suspensa por completo, com a Venezuela sendo praticamente administrada pelos Estados Unidos. Cuba, que já vivia um profundo déficit de petróleo, vai ver esse problema se agravar ainda mais, posto que a Venezuela era responsável, até então, por 30% de todo o petróleo consumido na ilha. Não foi por outro motivo, inclusive, que o próprio Donald Trump afirmou que não vai fazer nada em relação a Cuba porque, segundo o Laranjão, o regime ditatorial estaria podre e cairia por conta própria.
É claro que muita gente - em Cuba e fora do país - coloca a culpa dessa situação no famigerado embargo americano. Nós também já falamos exaustivamente desse tema aqui no canal. Obviamente, tudo isso é balela. A culpa do fracasso do modelo cubano é, como sempre, do próprio comunismo. De qualquer forma, chega a ser curioso ver como, segundo a lógica esquerdista, o comunismo depende desesperadamente da boa vontade de um colosso capitalista para se manter relevante.
Desde 1959, ano da tão celebrada revolução, Cuba está condenada ao fracasso e à miséria. E a velocidade com que ambos aconteceriam sempre dependeu, exclusivamente, de quanto apoio externo o país receberia. Mas as torneiras do dinheiro comunista foram se fechando, uma a uma. E, agora que Cuba depende apenas de si própria para sobreviver, a insanidade desse experimento social se torna evidente. O sonho se tornou um pesadelo: para os cubanos, há muito tempo; para os esquerdistas do mundo capitalista, o pesadelo se tornou visível agora.
Depois de expor essa dura realidade, fica a pergunta: como resolver o problema cubano? E a verdade é que não há solução fácil para essa questão. É fato que o comunismo precisa sair da ilha, o quanto antes, porque as coisas só vão piorar daqui pra frente. Contudo, o fim do regime ditatorial não vai representar uma melhora econômica e social imediata para o povo cubano. Na verdade, o mais provável é que vejamos uma piora ainda mais rápida, num primeiro momento. Afinal de contas, estamos falando de um país destruído por quase 70 anos contínuos de comunismo. As coisas não vão se ajustar tão facilmente assim.
É bem possível que Cuba passe por uma situação pior que a da Argentina, ou pior mesmo que a da Venezuela. Estamos falando de fome, miséria, deterioração das estruturas econômicas, migração em massa, e outras tragédias humanitárias que são até de difícil mensuração. No fim das contas, o que resta do caso cubano é um claro recado para todos os outros povos: o preço pago pelo comunismo é alto demais - essa é uma aposta que não vale a pena. Não se trata apenas de dinheiro: o preço do comunismo é pago em vidas, sangue, sonhos, e com o futuro de inúmeras gerações. Não há nada que possa devolver, ao povo cubano, tudo o que lhe foi tirado pelo comunismo. Resta torcer para que esse regime ditatorial seja extirpado o quanto antes daquela ilha, para que o povo possa, pelo menos, respirar um pouco de esperança.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/economia-de-cuba-castigada-ha-decadas-agora-atravessa-pior-momento-desde-a-revolucao.shtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/11/trump-cuba-petroleo-acordo.ghtml
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/credn/noticias/doacao-de-medicamentos-do-sus-a-cuba-tera-de-ser-explicada-pelo-itamaraty
https://www.cubaheadlines.com/articles/290356
https://en.cibercuba.com/noticias/2025-01-22-u1-e207888-s27061-nid295950-datos-oficiales-confirman-severa-crisis-alimentaria