Deputados aprovam AUMENTO de salário para SERVIDORES da Câmara e do Senado

No Brasil da democracia relativa, tudo é relativo. Deputados relativamente honestos, aprovaram um novo salário, relativamente baixo, para servidores da Câmara e do Senado, furando o teto de gastos relativo. Ah... Esse é o Brasil.

Os deputados aprovaram um reajuste salarial para servidores do Senado e da Câmara. A aprovação gozou de uma rapidez impressionante, do tipo que não se vê quando o assunto envolve reduzir gastos, cortar privilégios ou reduzir um imposto. O projeto aprovado amplia as faixas remuneratórias e permite que salários ultrapassem a casa dos R$ 46 mil. É mole? Enquanto o brasileiro médio se vira nos 30 para pagar aluguel, comida, transporte, água, energia e internet, o Congresso Nacional mostrou, mais uma vez, que quando é para aumentar a quantidade de dinheiro que arrancam do povo, o estado funciona como um relógio suíço.

O texto aprovado trata do “reajuste salarial para servidores do Senado e da Câmara”, expressão que aparece repetidas vezes na matéria. Reajuste, aqui, é um deboche com a sua e a minha cara. Não é como se fosse um reajustezinho para uma massa de pobres trabalhadores esquecidos, para recompor perdas inflacionárias que, aliás, são causadas pelo próprio estado. Estamos falando de um aumento que pode levar muitos servidores a passarem da casa dos 28 salários mínimos. Como se essa gente já não tivesse um monte de benefícios que o cargo público os propicia.

É engraçado como o estado brasileiro é extremamente rápido quando se trata de privilegiar seus capangas. Se eles agissem assim pra investigar os ladrões do INSS, o crime organizado, os ministros do STF metidos com o Banco Master e todos os políticos acusados de corrupção, a Suiça ia parecer a Índia perto de nós. E ainda tem gente que fica depositando suas esperanças de um futuro melhor nas mãos dessa gente, sempre aguardando ansioso pela próxima eleição como se isso fosse a solução definitiva para suas vidas.

Para quem ainda acredita em toda aquela baboseira de estado eficiente, de estado de bem-estar social, da coisa pública, de interesse coletivo e outros termos bonitinhos, talvez ao ver este vídeo possa abrir os olhos. O estado não é um Papai Noel fofinho pronto pra te dar um presentinho. O estado é, pura e simplesmente, um pequeno grupo de pessoas que decidiu que quer viver às custas de um grupo médio de pessoas, a chamada classe produtiva. Para garantir que esse arranjo continue funcionando, esse pequeno grupo cria e alimenta um grande grupo de dependentes do estado, pessoas que passam a viver de benefícios, subsídios e favores, fornecidos justamente com o dinheiro desse grupo médio de pessoas. Assim, o grupo médio fica esmagado no meio dos outros 2: paga a conta do luxo do grupo pequeno e da migalha do grupo grande, e não tem força política para derrubar o grupo pequeno, pois o grupo grande de dependentes defende com unhas e dentes o pequeno grupo que controla a máquina.

E é por isso que esse pequeno grupo faz o que bem entende sem medo da classe produtiva. Os novos salários aprovados por eles podem ultrapassar o teto constitucional, esse limite que supostamente impediria excessos. Mas, como sempre, surgem os penduricalhos. Gratificações, adicionais, auxílios, verbas indenizatórias — tudo aquilo que “não entra no teto”. Eles devem nos achar muito imbecis mesmo.

Dentro da lei positivista estatal, não existem fatos ou palavras objetivas. Tudo é interpretável, moldável, flexível. O que hoje é proibido, amanhã é permitido por uma canetada. O que hoje é teto, amanhã vira piso. O teto de gastos e o teto salarial servem apenas para dar uma aparência de responsabilidade fiscal, só pra tranquilizar o pagador de impostos e garantir que ele não vai se revoltar. O que acontece na realidade é que esse teto sempre será furado, sempre haverá uma explicação conveniente e sempre alguém dirá que “isso aqui é exceção, não entra no teto”.

E o pior é que o reajuste foi aprovado por ampla maioria. Ou seja, pra você que acredita que só uma minoria ou um lado político é viciado em roubar dinheiro do povo, toma essa Red Pill: não existe uma divisão real entre esquerda e direita quando o assunto é privilégio estatal. Em se tratando de aumentar os próprios benefícios, não há deputado de esquerda e deputado de direita. Há, no máximo, uma minoria que realmente vota contra. O resto, independentemente do discurso ideológico que faz para o eleitor ignorante, aperta o botão do “sim” sem constrangimento.

Enquanto isso, do lado de fora do mundo encantado de Brasília, o trabalhador que se mata o mês inteiro para ganhar R$ 7.500, é considerado rico pelo estado, e precisa pagar a alíquota máxima de imposto de renda. Vale ressaltar que, para o padrão miserável do Brasil, 7500 não é uma renda ruim. Mas dependendo da cidade, esse valor mal dá para uma vida além do básico. Aluguel caro, mercado caro, transporte caro, tudo caro, se tiver filhos então, a coisa pior. E aí esse mesmo trabalhador é obrigado a entregar quase 30% do que ganha para o estado, só no imposto de renda. Ele não tem auxílio-moradia, não tem verba indenizatória, não tem estabilidade no trabalho, não tem penduricalho. Se errar, é demitido. Se adoecer, se vira. Se envelhecer, torce para que sobre algo.

Ainda assim, há quem continue repetindo que o estado serve para promover saúde, educação, segurança e outras promessas que já estamos de saco cheio de ouvir. A verdade, porém, é bem menos romântica. O Estado funciona como um bandido estacionário: um grupo de pessoas que percebeu que assaltar trabalhadores à mão armada dá muito trabalho e gera resistência. Então decidiu criar um sistema em que as próprias vítimas entregam o espólio “voluntariamente”, e ainda acreditam que estão cumprindo um dever cívico, ajudando a sociedade ou sendo cidadãos conscientes. A diferença entre o assalto e o imposto é basicamente os níveis de ameaça. Enquanto o assaltante já começa pelo último nível de violência, que é apontar o cano pra sua cara e te ameaçar, o Estado vai escalando gradualmente: primeiro ele te notifica que você está devendo imposto, depois ele te aciona na justiça, se você se recusar ele suja seu nome, te proíbe de fazer negócios, se você insistir ele tenta tirar seus bens para cobrir a “dívida”, se você resistir ao confisco dos seus bens você é preso e, por fim, se resistir a prisão, eles te matam.

É fundamental entender que a lei estatal não parte de uma ética jusnatural, ou seja, suas leis não tem lastro na realidade e nas leis da natureza. Para eles a lei é que molda a realidade, e não o contrário. Dentro do positivismo jurídico, não existe certo ou errado em termos objetivos. Existe o que está escrito hoje e pode ser reescrito amanhã. Por isso, quando alguém diz que “está dentro da lei”, isso não significa absolutamente nada do ponto de vista ético. A escravidão já esteve dentro da lei. Confisco de poupança já esteve dentro da lei. O nazismo já esteve dentro da lei. E agora o aumento de privilégios às custas da miséria alheia também está dentro da lei. E continuará estando, enquanto o próprio beneficiário puder escrever as regras.

A aprovação desse reajuste mostra, mais uma vez, que o Estado não falha. Ele funciona exatamente como foi desenhado para funcionar. Ele não existe para servir à população, mas para servir a si mesmo. O discurso de serviço público é apenas isso: discurso. Apesar de hoje eles se chamarem de servidores públicos, a verdade é que os servidores somos nós. Somos nós que os servimos com nossos impostos, com nosso tempo, com nossa energia, com nossa perda do poder de compra. Eles não dependem da nossa satisfação; dependem apenas que uma maioria ignorante acredite neles e os proteja de nós.

Diante disso tudo, insistir que o problema é dessa gestão, desse presidente da câmara, desse senado, que “dessa vez exageraram”, que “na próxima melhora”, é se recusar a encarar a realidade. A única forma de se ter uma sociedade justa é abolir completamente a estrutura que hoje chamamos de Estado. Não de forma revolucionária, como sonham os Marxistas, mas gradualmente e individualmente, em cada aspecto de nossas vidas. 

Para aqueles que tem medo de um mundo sem o Estado, saiba que não seria algo tão disruptivo quanto uma anarquia cyberpunk dominada por grandes corporações. Uma forma de se viver sem o Estado, é através do sistema de governança privada, em que pessoas possam voluntariamente decidir como se associar, como prover segurança, saúde e educação, sem serem obrigadas a financiar aquilo que rejeitam.

Uma sociedade libertária não necessariamente aboliria a ideia de governo ou mesmo a ideia de serviço público. A diferença central é que qualquer entidade de governança teria que competir, prestar contas e, principalmente, poderia ser contratada e demitida. Quem oferece serviços de organização social seria, de fato, funcionário de uma comunidade, e não seu patrão. Hoje, ocorre exatamente o inverso: um pequeno grupo manda, decide quanto vai ganhar e envia a conta para milhões de pessoas que não têm opção de recusa.

Enquanto isso não muda, o trabalhador vê seu salário ser dilacerado por impostos e inflação, mês após mês, enquanto funcionários públicos do alto escalão aumentam seus próprios salários e vivem como reis, protegidos por leis que eles mesmos escrevem e reinterpretam quando necessário.

Se você olha para isso tudo e sente indignação. Se você acha errado ser obrigado a sustentar essa corja de parasitas de terno e gravata. Se você entende que ninguém deveria ter o direito de viver à força do trabalho alheio apenas porque ocupa um cargo político. Então não adianta dourar a pílula: você é um libertário — talvez ainda não assumido, mas já consciente de quem realmente está sendo servido nessa história.

Referências:

https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/03/deputados-aprovam-reajuste-salarial-para-servidores-do-senado-e-da-camara.ghtml