O socialismo funcionou e ninguém ficou sabendo.

Em São Paulo, um grupo de esquerdistas se uniu para provar que o capitalismo falhou e que o socialismo funciona… mas claro, não sem antes postar vários stories no Instagram com um iphone 17.

A ideia parece “excelente”, até ser dita em voz alta. Um supermercado onde as pessoas pagam para trabalhar 3 horas a cada 4 semanas. Sim, é isso.

Chamado de “Supermercado Cooperativo Participativo” - e honestamente, é difícil imaginar algo mais soviético que isso – a proposta é tentadora: trabalho coletivo em turnos de 3 horas por mês. Caixas, estoque, limpeza, abre aspas “administração”, em troca de "preços baixos" além, é claro, do importantíssimo ambiente good vibes, acolhedor e … com um certo cheiro característico.

Mas analisando essa empolgante proposta à régua da fria matemática, vários problemas óbvios aparecem, mas vamos focar em 3, os quais parecem mais basilares.

O primeiro é: a matemática é cruel. Um supermercado é um tipo de comércio com carga horária diferenciada, normalmente abre cedo e fecha à noite, com trabalhadores fixos em mais de um turno. Tendo como base um pequeno mercado que funciona 12 horas por dia com 10 funcionários, ou seja, 5 funcionários por turno, temos 120 horas trabalhadas ao dia.

Pois bem, dividindo isso pelas 3 horas propostas pela iniciativa, são necessárias 40 pessoas por dia, sim, 40. Em 30 dias são 1200 pessoas apenas para suprir a demanda de um pequeno mercado de bairro. Em números mais realistas, seriam necessárias entre 4800 e 6000 pessoas para manter o negócio funcionando, considerando o porte da estrutura que foi proposta.

Ou seja, praticamente a população inteira de uma cidade pequena – desde que todos topem pagar para trabalhar, o que em terras tupiniquins, sabemos ser um tanto improvável, já que a população está acostumada a receber por não fazer nada, um salve ao bolsa família. Além de ser um problema numérico, é também um problema comportamental. “O que se vê é o trabalho coletivo e o entusiasmo; o que não se vê são as horas desperdiçadas, a improdutividade e o custo invisível que todos pagam por esse romantismo econômico.”

O segundo problema é: a Capacidade x demanda, há um grande problema de gestão. Supondo que pessoas se candidatem a função (não duvidem da quantidade de digamos "pessoas desprovidas de inteligência" que existem por aí).

A primeira é um gestor capacitado que precisa comprar arroz. A média de venda mensal são de duas carretas do cereal. Mas o fornecedor está com um bom preço e há uma grande possibilidade de aumento do custo do arroz num curto prazo, então a primeira pessoa decide comprar três carretas, para aproveitar o preço. Porém, não consegue fechar a compra a tempo.

A segunda pessoa do turno, que também é capacitada, analisa que comprar três carretas vai desfalcar o caixa, concentrando uma fatia grande de recursos em um único artigo, então ela toma a decisão de comprar apenas uma carreta de arroz e, a medida que for precisando de mais, compra-se mais e que, se o preço realmente subir, paciência, aumenta-se o preço final também.

Mas, infelizmente ela também não tem tempo de fechar o pedido, que fica para a terceira pessoa do turno, um típico socialista de iPhone - ou melhor dizendo, um idiota útil - que vê o preço do arroz e pensa: “Cara, tá muito barato meow, vou comprar 10 carretas”. E quebra a empresa no primeiro dia.

Quando ninguém é realmente responsável, ou mesmo quando não há previsibilidade de ações, todo mundo acha que pode decidir. E o resultado é o caos travestido de “democracia econômica” ou “gestão participativa”. Nas palavras de Ayn Rand: “Quando todos são responsáveis por tudo, ninguém é responsável por nada.”

O outro problema é: A alocação de recursos, quem irá aparecer na segunda-feira, 06:30 da madrugada para abrir esse mercado? Como controlar a necessidade de 30 pessoas às 14:30 de uma quinta-feira quando só aparecem duas – e depois lidar com 200 pessoas em um sábado, todos prontos para fazer stories mostrando o quanto são virtuosas e moralmente superiores por não usarem canudo de plástico que engasga tartarugas?

Bem, você poderia imaginar que há uma gestão superior para coordenar essas “pessoinhas” como pequenas engrenagens. Alguém que administre os horários, controle os estoques e dê bronca em quem falta, certo? Entretanto isso soa um tanto capitalista malvadão, com um chefe gordo de monóculo explorando a mais-valia, e certamente eles não querem isso, pois não visam lucro, é pelo ideal, é por amor…

E é exatamente por isso que a coisa desmorona. Nenhum sistema funciona quando ninguém responde por nada. Nem o capitalismo, nem o socialismo, nem o “mercadinho do afeto”. Mas calma! Para o choro livre dos negacionistas da ciência, há exemplos desta iniciativa mundo afora - e que, veja só, vão muito bem, obrigado.

Como assim? É possível? Como eles se mantêm de portas abertas? E por mais de uma década!? Simplesmente fazendo exatamente o oposto do que dizem fazer!

A Bees Coop na Bélgica tem a mesma proposta. E como funciona? Bem, primeiro redefina o termo “cooperativo” para “pago” e “participativo” para “obrigatório”. Isso já é metade do caminho para enteder o motivo de funcionar.

Resumidamente funciona como uma cooperativa, onde as pessoas pagam para entrar (no mínimo 25 euros, vitalícios, ou até mudarem as regras) e precisam trabalhar 2:45 horas a cada 4 semanas.

Os trabalhos são os típicos braçais: caixa, repositor, empacotador, limpeza. Cargos de gerência e administração são reservados para a nobreza intelectual que sempre sabe o que é melhor para você, seu plebeu ignorante.

E detalhe, as regras são rígidas para aqueles que faltam aos turnos. Não chegam a te bater com um cabo de enxada (por enquanto pelo menos), mas podem ficar bem hostis segundo algumas avaliações no Google. Ah, o amor dessa galera colorida é comovente.

Em troca de pagar para varrer chão e desentupir banheiro, você tem acesso, na maioria das vezes, a produtos mais caros (mas pelo menos são orgânicos, naturais, locais e com aquela empáfia de superioridade que nenhum dinheiro pode pagar… ok, 25 euros são o suficiente para pagar).

E como é uma empresa “sem fins lucrativos” (sim, temos aqui um paradoxo), o lucro resolve todos os problemas assinalados anteriormente. Parte é convertido em pagamento de funcionários - a questão de quem irá aparecer segunda-feira, para trabalhar? Boom, um CLT, pago, remunerado, ganhando dindin, capitalista.

Outra fatia generosa vai para os gestores e o que sobrar paga amortização de empréstimos. Sim! O prédio em que eles estão é financiado e você, nobre cooperado está pagando. Não há nenhum retorno financeiro nisso para você, mas a sensação de pertencimento já basta.

Mises, em um rompante sociológico, observou este fenômeno tão antigo quanto a própria existência humana: “O homem não age por altruísmo coletivo; ele age para remover um desconforto pessoal.” E o que poderia ser mais autoindulgente do que um bando de hipsters, pais de pets e funcionários públicos aposentados, mentalmente ociosos e socialmente alienados, encantados com esse tipo de iniciativa?

O pedágio social é quitado, na cabeça desbalanceada destas pessoas, quando o dito privilegiado desce ao nível dos plebeus e se compadece da miséria deles. De longe é claro! Uma excelente ideia revolucionária que prova – definitivamente – que, se as pessoas de bom coração se unirem pelo “bem comum”, o socialismo de fato funciona.

Não com ações efetivas, produção de bens, geração de empregos, desburocratização… liberdade? Não, isso nunca! O pobre não tem capacidade de pensar sozinho, de errar e ou acertar. Mas sim com a solução óbvia na visão distorcida destas pessoas. Formar seu próprio clube de aristocratas morais, onde: Os patrões não são necessários quando se tem comissões de planejamento central. A participação voluntária se faz por terceiros assalariados. E o empolgado cooperado precisa ter um emprego de verdade para sustentar as fantasias comunistas.

No fim, o socialismo só funciona quando alguém paga a conta — de preferência, o capitalista que eles dizem desprezar.

Referências:

https://www.instagram.com/gomo.coop
https://bees-coop.be/faq
https://www.youtube.com/watch?v=E86pMK8LvcA