Parece que Alexandre de Moraes é muito amigo de Vorcaro, pois ele até foi convidado pra jantar na mansão do banqueiro. Será que se um dia um caso contra o Master parar no STF, Moraes vai ser imparcial? Ou vai beneficiar o melhor cliente de sua esposa?
A saga do Banco Master segue a cada dia revelando um pouquinho mais das imundícies da política brasileira. Recentemente, o jornalista Lauro Jardim, trouxe a informação de que o ministro Alexandre de Moraes participou de um jantar na mansão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao lado de políticos influentes de Brasília. À primeira vista, esse evento pode não parecer nada de mais, afinal, políticos em Brasília se encontram o tempo todo. Mas, em um país como o Brasil — onde a confiança nas instituições já foi corroída até o osso — é simplesmente impossível que esse tipo de informação passe incólume aos olhos de quem ainda se esforça para pensar com o mínimo de honestidade intelectual.
Não estamos falando de um cidadão comum recebendo amigos para uma noite agradável. Estamos falando de um ministro da Suprema Corte jantando com o proprietário de um banco que, naquele momento, já era alvo de comentários insistentes sobre fragilidades financeiras, e cujo maior contrato envolve, curiosamente, a esposa desse mesmo ministro. Um contrato de R$ 129 milhões. É uma cifra que, por si só, já deveria despertar a desconfiança até do mais inocente dos brasileiros — ainda mais quando se trata de alguém que ocupa um dos cargos mais poderosos da República.
É claro que alguém sempre aparecerá para dizer que “não há nada de ilegal” nisso. Essa é, aliás, uma das frases favoritas dos parasitas estatais. Mas a questão aqui nunca foi, primordialmente, a legalidade estrita. A questão é moral, institucional e, acima de tudo, estrutural. É impossível exigir que as pessoas não pensem o pior quando um ministro do Supremo Tribunal Federal se reúne, em ambiente privado, com o dono do banco que mantém o maior contrato da empresa da sua esposa. Impossível.
Em qualquer país minimamente decente — e o Brasil definitivamente não se enquadra nessa categoria — seria impensável que familiares diretos de ministros da Suprema Corte pudessem representar clientes que, direta ou indiretamente, dependem de decisões judiciais do próprio tribunal. A desculpa dos ministros do STF é que seus familiares não merecem ser penalizados por causa de seus cargos de ministros, ou seja, a pobre da esposa do Moraes não merece perder um contratinho milionário só porque o marido é ministro do STF. Ah, nos poupe! Se quer tanto ter liberdade de contrato, então abdique do cargo público. Ou será que, se não fosse pelo cargo público, o banco não teria interesse em contratar Viviane? Fica a dúvida no ar.
O caso do Banco Master expõe a podridão que envolve não apenas um ministro específico, mas todo o ecossistema do poder em Brasília. STF, políticos, grandes empresários “bem relacionados”, banqueiros que transitam com facilidade entre gabinetes e mansões. Todos se conhecem. Todos se frequentam. Todos se protegem. A república do compadrio segue funcionando a pleno vapor, enquanto o cidadão comum é convidado a acreditar que tudo isso acontece em nome da democracia.
É curioso observar o contraste entre esse jantar e decisões recentes da própria Suprema Corte. Alexandre de Moraes foi um dos protagonistas da condenação política de Jair Bolsonaro por ter se reunido com embaixadores. Naquela ocasião, argumentou-se que o encontro representava uma ameaça às instituições, um gesto inaceitável, algo que feria os limites do cargo. Mas, ao que tudo indica, reunir-se com o maior cliente da empresa de sua esposa, em um momento sensível para o sistema financeiro, não parece ter causado qualquer desconforto ao ministro. Engraçado como a régua moral muda conforme o posicionamento político.
O caso do Banco Master também ajuda a escancarar algo que libertários denunciam há décadas: o estado não é um árbitro neutro, nem um agente do bem comum. Ele é, antes de tudo, uma gigantesca máquina de transferência injusta de renda. Tira de quem produz para entregar a quem não produz. Retira recursos de empresários que não têm contatos para favorecer aqueles que têm acesso aos jantares certos. Penaliza quem não ocupa cargos e beneficia quem vive deles. Em outras palavras, quem é digno daquela renda acaba sendo obrigado a entregá-la a quem é indigno, apenas porque este último opera, ou está envolvido com quem opera, o sistema.
Nesse contexto, não surpreende que surjam indícios de movimentações nos bastidores para “salvar” o Banco Master. Os esforços de Dias Toffoli, as pressões de Alexandre de Moraes sobre o presidente do Banco Central e o silêncio cúmplice de grande parte da elite política formam um quadro bastante sugestivo. Ao que tudo indica, Daniel Vorcaro pode ter deixado claro algo do tipo: “se eu cair, levo vocês junto”. Não se trata de uma afirmação categórica, mas de uma leitura plausível da dinâmica do poder em Brasília. Quem entende o funcionamento real do estado sabe que chantagens implícitas são a moeda corrente entre essa gente.
Quando bancos quebram, seja no Brasil ou em qualquer outro país, raramente o prejuízo fica restrito aos seus controladores. Ele é socializado. É empurrado para o colo do pagador de impostos, direta ou indiretamente. Linhas especiais de crédito surgem, regulações são flexibilizadas, decisões judiciais aparecem no momento oportuno. Tudo isso é feito em nome da tal “estabilidade do sistema”, como se o sistema fosse um fim em si mesmo, e não um arranjo que deveria servir à sociedade — se é que isso ainda faz algum sentido.
O mais revoltante é perceber como essa engrenagem funciona tal qual um motor bem lubrificado. Enquanto pequenos empresários quebram sem direito a jantar com ministros, enquanto trabalhadores autônomos são esmagados por impostos e burocracia, os grandes players continuam sendo protegidos.
E é exatamente por isso que insistir na ideia de um “estado bom”, “estado necessário” ou “estado reformável” é uma forma de autoengano. O estado é, por definição, imoral, ineficiente e injusto. Não existe outra solução coerente que não seja a sua total abolição. O estado não tem outro objetivo real que não seja roubar o trabalhador — ainda que esse roubo tente ser justificado com a desculpa da necessidade de políticas públicas, programas sociais ou qualquer outro discurso de coitadismo.
Quem ainda acredita que o estado provê segurança, saúde, educação ou qualquer outro benefício essencial precisa acordar para a realidade: se é necessário “prover” algo de graça para alguém, é porque antes o próprio estado empobreceu essas pessoas. Empobreceu ao confiscar sua renda, ao destruir sua capacidade de poupança, ao impedir o acúmulo de capital, ao sufocar iniciativas privadas que poderiam contratar essas pessoas, ao destruir suas famílias que poderiam ajudar. O estado cria o problema e depois se apresenta como a solução. E, nesse processo, fortalece apenas a si mesmo e aos seus aliados.
O jantar na mansão de Vorcaro não é uma exceção, uma grande novidade que ninguém jamais imaginou que pudesse acontecer. Ele é a própria regra do jogo político. Ele é a manifestação concreta de como o poder estatal funciona quando ninguém está olhando — ou quando todos fingem não ver. Não se trata de um ministro específico, de um banqueiro isolado ou de um partido político determinado. Trata-se de uma estrutura que incentiva, recompensa e normaliza esse tipo de relação promíscua.
E não há motivo algum para acreditar que isso vá mudar no curto prazo. 2026 será ano de eleições. Surgirá outro fantoche do sistema, com o mesmo discurso e promessas mentirosas. Virão outros ministros, com currículos impecáveis e dispostos a negociar. Aparecerão outros banqueiros, outros empresários “estratégicos”, outros jantares discretos. E a promiscuidade seguirá firme e forte. Porque o problema nunca foram apenas os operadores da máquina de roubar. O problema maior é a própria máquina.
Enquanto o estado existir, esse tipo de relação continuará sendo não apenas possível, mas inevitável. Não há código de ética, comissão parlamentar ou reforma institucional capaz de corrigir algo que nasceu corrompido.
A única saída real é através da ruptura. Pela rejeição consciente da ideia de que precisamos de um ente centralizado para organizar nossas vidas. Pela compreensão de que liberdade, prosperidade e justiça não nascem de políticos, mas unicamente de relações voluntárias, de responsabilidade individual e da eliminação definitiva dessa estrutura que se alimenta do trabalho alheio. Enquanto isso não acontecer, jantares como esse continuarão sendo servidos — e a conta, como sempre, ficará para quem nunca foi convidado à mesa.
https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2025/12/em-mansao-vorcaro-recebeu-alexandre-de-moraes-e-politicos-para-jantar.ghtml