PF pede AFASTAMENTO de Toffoli após encontrar seu nome em CONVERSAS no CELULAR de VORCARO

O celular de Daniel Vorcaro é a caixa de Pandora do mundo político brasileiro. Quanto mais a polícia tem acesso às informações, mais a podridão da república brasileira vai sendo exposta. Se o que nós sabemos já é chocante, imagine então o que eles escondem de nós.

Parece que a toca do coelho do Banco Master não tem fim mesmo. Se com eles tentando a todo custo esconder os podres desse caso ainda ficamos sabendo de muita coisa absurda, imagina se estivéssemos em um país sério que realmente investiga políticos e ministros bandidos? Há não muito tempo, vimos o escândalo do banco de Vorcaro se expandir além das fronteiras do STF e chegar ao entorno do presidente da República, através do ministro Lewandowski. A partir daí, o que antes era tratado como um problema restrito a ministros do STF passou a exigir movimentos mais explícitos de Lula. E foi justamente nesse contexto que veio à tona a informação de que Lula teria comentado, de maneira informal, que talvez fosse melhor Dias Toffoli deixar o STF.

Qualquer pessoa que não esteja embriagada pela ideologia percebe, a essa altura do campeonato, o quanto ministros do Supremo estão atolados até o pescoço nesse caso. Os fatos estão cada vez mais escancarados: as quantias milionárias, as relações pouco republicanas entre magistrados, familiares de magistrados e um banco que, curiosamente, parece orbitar sempre os mesmos nomes. E, como costuma acontecer no Brasil, quanto mais fundo se adentra a toca do coelho, mais coisas estranhas vão aparecendo.

Desde o início, a coisa mais estranha de toda essa história é o envolvimento de Vorcaro justamente com ministros do STF e familiares de ministros do STF. Você pode até tentar ser advogado do diabo e imaginar coincidências, acasos do destino ou improbabilidades estatísticas. Mas chega um ponto em que o argumento da coincidência vira uma piada de muito mau gosto. É sempre alguém muito próximo do poder, sempre alguém com influência, sempre alguém que, em tese, deveria estar distante de qualquer relação desse tipo.

O caso do Master ganhou a atenção do público quando saíram as notícias do envolvimento de Alexandre de Moraes e sua esposa. Os valores elevados, muito fora da realidade da advocacia no Brasil, causaram espanto em muita gente e deixaram muitas dúvidas e conjecturas no ar. Mas apesar do grande volume de dinheiro que envolve Moraes e sua esposa Viviane, o ministro que realmente parece enterrado até a cabeça nesse caso é Dias Toffoli. Se há alguém que deitou e se lambuzou nessa lama do Banco Master, esse alguém atende pelo nome de José Dias Toffoli.

E como estamos no Brasil, o país da improbabilidade, eis que surge mais uma coincidência: o sorteio do STF. Ah, o sorteio. Esse mecanismo quase mágico que, na teoria, garante imparcialidade mas, na prática, entrega resultados muito convenientes para os ministros. Pois não é que o caso do Banco Master acabou caindo justamente nas mãos de Dias Toffoli? O mesmo Toffoli que aparece reiteradamente ligado ao caso. Se você acredita em destino, carma ou forças ocultas do universo, talvez esse seja um ótimo exemplo. Agora, se você é apenas um cidadão desconfiado dessa casta de parasitas, é difícil não rir diante de tamanha “sorte”.

Como se não bastasse, há ainda a polêmica envolvendo o resort ligado à família de Toffoli. Um empreendimento que, por si só, já renderia bons questionamentos, mas que fica ainda mais nebuloso quando colocado lado a lado com as informações sobre o Banco Master. Tudo parece se conectar de forma perfeita, como peças de um quebra-cabeça que ninguém no poder parece estar disposto, ou ter coragem, de montar até o fim.

Mas se até aqui, por motivos que não consigo nem imaginar, você ainda acreditava que Toffoli não estava envolvido diretamente e, portanto, não teria problema o caso do Master cair em suas mãos para julgar, a mais recente notícia envolvendo seu nome com certeza vai te fazer mudar de ideia. No dia 11 de fevereiro, a Polícia Federal enviou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, um material de perícia do celular de Daniel Vorcaro, no qual o nome do ministro Dias Toffoli foi amplamente citado em conversas. 

Com base nisso, a Polícia Federal pediu que o ministro se declarasse suspeito e deixasse o caso do Banco Master. O gabinete de Toffoli, claro, reagiu, e disse que a polícia estaria fazendo isso com base em ilações, e que não tinha competência para fazer tal pedido.

Agora vamos fazer um rápido exercício de lógica: vamos imaginar que tipo de conversa envolveu o nome de Dias Toffoli. Imaginemos que Vorcaro estava falando do cabelo de Dias Toffoli, que ele estava especulando qual gel ele usa, ou se fica mais bonito penteado para o lado ou para trás. Será que essa conversa moveria a PF a pedir o afastamento do ministro do caso? Certamente que não. Ou então, imaginemos que estava falando sobre Toffoli ser palmeirense, e como isso causaria rivalidade entre ele e Moraes, que é corinthiano. Será que esse tipo de conversa seria motivo pra PF mandar esse material para Fachin e pedir o afastamento do juiz? Eu sinceramente acredito que não.

Por lógica, só podemos concluir que o tipo de conversa em que o nome do ministro indicado por Lula está envolvido, é coisa comprometedora. Coisa suja, coisa feia. Nesse circo que é o Brasil, talvez nem isso seja motivo pra tirar Toffoli e seus sigilos de cima da papelada do caso Master. Mas que ele, e também por tabela o próprio STF, perdem cada dia mais credibilidade com o povo, isso perdem. Nós sabemos que os ministros estão envolvidos com Vorcaro, e estão advogando em causa própria. Não adianta usar notinhas bonitas, colocar sigilo e acusar a PF de ilação. Se Toffoli não tem nada a esconder, que se afaste do caso.

Mas esperar isso de Toffoli é pedir demais. Porém podemos depositar nossas esperanças em Lula! Calma, eu sei que parece a coisa mais absurda do mundo, mas vai fazer sentido, prometo. Sim, Lula foi quem indicou Toffoli, e sim, Lula não é conhecido por ser um combatente à corrupção. Mas se há algo que Lula faz muito bem, é cortar a mão pra não perder o braço. Se algo colocar em risco ele, seu partido, ou seu projeto de poder, ele joga até a Janja na fogueira se for necessário.

Quando veio à tona a informação de que Ricardo Lewandowski, já ocupando o cargo de ministro no governo Lula, teria recebido R$ 5 milhões do Banco Master por meio de seu escritório, a coisa começou a ficar próxima demais do presidente. Estamos falando de alguém que já integrava o governo, alguém com acesso direto ao poder, alguém cuja imagem pública sempre foi cuidadosamente construída como a de um jurista respeitável.

A partir desse ponto, o cerco começou a se fechar em volta de Lula. E foi justamente nesse momento que o presidente passou a pressionar pela queda de Toffoli. Segundo relatos, Lula teria mencionado, em conversas reservadas, que considerava melhor que Toffoli deixasse o STF. Nada muito formal, nada anunciado publicamente, mas o suficiente para que a mensagem circulasse entre jornalistas e nos bastidores de Brasília. E se antes Lula já queria a saída de Toffoli, agora, com seu nome aparecendo em conversas comprometedoras no celular de Vorcaro, a saída do ministro é ainda mais conveniente para Lula.

A saída de Toffoli ajudaria Lula em vários aspectos. Primeiro, afastaria o caso do Banco Master da figura do presidente. Ao empurrar Toffoli para fora de cena, Lula tenta criar a impressão de que o problema está sendo resolvido “lá”, longe do Planalto. Segundo, cria-se a falsa ideia de que o presidente estaria combatendo a corrupção, tomando medidas duras contra o ministro que ele mesmo indicou. Terceiro, essa movimentação ajuda a desviar a atenção do escândalo do INSS, que também ronda o governo e ameaça causar grandes estragos políticos. E quarto, abre-se a possibilidade de Lula indicar outro ministro, mais jovem, com aparência de ficha limpa, sem as máculas que hoje acompanham Toffoli — tal qual uma fralda suja que se troca pra evitar que o mau cheiro se espalhe.

Nesse processo todo, a mídia tradicional parece caminhar de mãos dadas com o presidente. Não é difícil perceber o tom das reportagens, a escolha das palavras, a forma como a narrativa é construída. Há uma pressão evidente pela queda de Toffoli. Pouco se fala, porém, sobre as estruturas que permitem que casos como esse existam. Pouco se questiona o sistema que concentra poder, dinheiro e impunidade nas mãos de tão poucos.

É curioso, aliás, como todo mundo que cerca Lula acaba sendo corrupto, menos ele. Ex-ministros, aliados históricos, figuras de confiança, parentes, todos eventualmente envolvidos em escândalos, investigações ou denúncias. Lula, entretanto, permanece sempre como uma ilha de pureza em meio ao mar de corrupção. 

Diante desse cenário, entre Lula e o STF, nós torcemos pela briga. Simples assim. Não porque um lado represente qualquer tipo de virtude, mas porque conflitos internos entre políticos costumam expor os podres de ambos os lados, revelando informações e gerando desgastes mútuos.

E é bom que Lula se apresse. Se ele não tirar a investigação do Banco Master do seu quintal o mais rápido possível, o risco de um grande desgaste para as eleições deste ano é muito alto. Escândalos financeiros têm esse efeito inconveniente de grudar na imagem de quem está no comando, independentemente do esforço para se desvincular deles. A tentativa de empurrar Toffoli para fora do STF pode até funcionar como um movimento tático de curto prazo, mas não garante que o problema de Lula desaparecerá.

No fim das contas, toda essa abominação escancarada, ridícula, revoltante e praticada sem o menor medo de consequências só é possível porque existe um sistema chamado estado. Um sistema cuja função real não é trabalhar em prol do cidadão comum, mas sim roubar o dinheiro de quem produz algo de valor e redistribuí-lo entre Toffoli, Moraes, Lula, Vorcaro, Lewandowski et caterva. É por isso que nós afirmamos que enquanto o estado existir nesse formato, esses esquemas continuarão acontecendo. Precisamos que o estado acabe de uma vez, para que cada um de nós possa ser dono daquilo que produz, sem ter que sustentar esse bando de bandidos travestidos de autoridades.

Referências:

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/jussara-soares/politica/pf-encontra-mencao-a-toffoli-em-celular-de-vorcaro/
https://www.infomoney.com.br/politica/caso-master-leva-lula-a-falar-em-possivel-saida-de-toffoli-do-stf-diz-jornal/
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg555lkw9po
https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/master-pagou-r-5-milhoes-a-escritorio-de-lewandowski-ja-como-ministro