O governo entendeu que você trabalha demais e ganha pouco. A solução deles? Uma canetada mágica. Descubra a manobra de Boulos e Lula para forçar o fim da escala 6x1 ainda neste semestre e como isso vai implodir a economia.
O ano de 2026 começou com uma ofensiva estatal sem precedentes sobre o mercado de trabalho. O governo federal decidiu acelerar, a qualquer custo, o fim da escala de trabalho 6x1. E agora a coisa começou a sair do campo da promessa e passar para o campo da articulação política real. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos — cara, esse país parece um episódio de South Park mesmo, não tem como levar a sério o fato de que Boulos é ministro de alguma coisa, mas voltemos ao vídeo — O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, é o porta-voz dessa cruzada.
Nesta segunda-feira, dia nove, Boulos confirmou uma movimentação estratégica. Ele convidou o presidente da Câmara, Hugo Motta, para uma reunião decisiva. O encontro deve ocorrer na quinta-feira, dia doze de fevereiro, com a presença de Lula. O objetivo é alinhar os ponteiros para aprovar a medida ainda no primeiro semestre deste ano. A pressa do governo revela o caráter eleitoreiro da proposta em ano de pleito presidencial.
Mas o maior perigo está na mudança de estratégia legislativa. Originalmente, falava-se em uma Proposta de Emenda à Constituição, a famosa PEC. Uma PEC exige quórum qualificado, ou seja, três quintos dos votos em dois turnos. É um processo lento, difícil e que exige amplo consenso, inclusive da oposição. Percebendo a dificuldade, o governo avalia um atalho perigoso.
A nova ideia é tramitar o fim da escala 6x1 via Projeto de Lei com regime de urgência. Um Projeto de Lei exige maioria simples, muito mais fácil de conseguir com a base aliada. O regime de urgência atropela debates nas comissões e leva o texto direto ao plenário. Eles querem aprovar uma mudança estrutural na economia brasileira "a toque de caixa". Boulos argumenta que essa via é mais "eficaz" para entregar a promessa rapidamente.
Na visão libertária, essa eficácia política é sinônimo de desastre econômico. O governo estabeleceu três pontos inegociáveis nessa articulação. Primeiro: a implementação da escala máxima de cinco dias de trabalho por dois dias de folga. Segundo: a limitação da jornada semanal a quarenta horas. Terceiro, e mais crítico: a proibição da redução salarial.
Aqui é onde se dividem os que acreditam em conto de fadas de trabalhar menos pelo mesmo salário, e quem enxerga a realidade da economia. Há burocratas que acreditam que podem ditar o valor do trabalho por decreto. Na cabeça do planejador central, o salário é um número arbitrário decidido pelo patrão malvadão. Na realidade, o salário tende a acompanhar a produtividade marginal do trabalhador. Se você obriga a empresa a pagar o mesmo salário por menos horas, a hora trabalhada encarece.
O governo se apoia em estudos estatais, como o do Ipea, para vender otimismo. Dizem que o impacto nos custos das empresas seria ínfimo, menor que um por cento. Essa estatística é uma média que esconde a realidade de quem está na ponta. Grandes indústrias automatizadas talvez absorvam o impacto com facilidade. Mas o pequeno comércio, a padaria, o restaurante e o setor de serviços não conseguem.
Imagine um restaurante que funciona todos os dias da semana. Hoje, ele opera com uma equipe que reveza folgas na escala 6x1. Com a imposição da escala 5x2, o dono terá um buraco na escala. Ele terá duas opções: contratar mais gente ou fechar as portas em certos dias. Contratar mais gente aumenta o custo da folha de pagamento drasticamente. Fechar as portas reduz o faturamento e o atendimento ao cliente, além de gerar desemprego.
O ministro Luiz Marinho chama de "chantagem" o alerta dos empresários sobre o desemprego. Mas a lei da oferta e da demanda não aceita desaforo. Quando o custo de algo sobe, a demanda por aquilo desce. Ao encarecer artificialmente a mão de obra, o governo reduz a demanda por trabalhadores. O resultado imediato será a demissão dos funcionários menos qualificados. Aqueles que produzem menos valor do que o novo custo imposto serão excluídos do mercado.
O jovem aprendiz e o trabalhador sem experiência serão as primeiras vítimas. O governo diz proteger o trabalhador, mas está destruindo os degraus de acesso ao emprego. Além do desemprego, há o fantasma da inflação de serviços. Se o empresário não puder absorver o custo e não puder demitir, ele aumentará o preço. O corte de cabelo, a mensalidade da escola e o prato feito vão ficar mais caros. O trabalhador pode até ter mais folga, mas seu salário comprará menos coisas.
Existe também um aspecto ético fundamental que é ignorado. A proibição da escala 6x1 é um ataque à liberdade de contrato. E se um trabalhador quiser trabalhar aos sábados para juntar dinheiro mais rápido? E se ele preferir trabalhar mais agora para investir em um negócio próprio no futuro? O estado, com sua arrogância paternalista, diz: "não, você não pode". O governo trata adultos capazes como crianças que precisam de tutela.
A manobra de Boulos e Lula para usar um Projeto de Lei é um golpe na segurança jurídica. Eles querem mudar as regras do jogo no meio da partida, visando as urnas. O deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, está sob forte pressão para ceder. O "centrão", historicamente fisiológico, pode vender essa pauta em troca de verbas. A liberdade econômica no Brasil está na mesa de negociação.
A história de "melhorar a qualidade de vida do trabalhador" é sedutora, mas infelizmente é falsa. Qualidade de vida vem com produtividade, capital acumulado e bens baratos. Países ricos trabalham menos horas porque são mais produtivos, não o contrário. Eles investiram em máquinas, tecnologia e educação ao longo de décadas. Aqui, o governo pune o investimento, taxa o consumo e agora quer decretar a produtividade. É como tentar curar a febre quebrando o termômetro.
A insistência na manutenção do salário com redução de jornada é matemática freestyle, do jeito que a esquerda gosta. Se a jornada cai de 44 para 40 horas, isso é uma redução de quase 10% no tempo. Manter o mesmo salário significa um aumento real de mais de 10% no custo da hora. Em um país com a produtividade estagnada, isso é um choque de custos brutal. Muitas pequenas empresas, que já operam no vermelho, vão quebrar. E empresa quebrada não paga salário, nem 6x1, nem 5x2.
A informalidade será o refúgio inevitável para milhões. No mercado informal, não existe CLT, não existe fiscalização e não existe Boulos. Lá, as leis da economia funcionam sem a interferência da caneta estatal. Trabalhadores e empregadores farão acordos por fora da lei para sobreviverem. O governo, ao tentar controlar tudo, acabará não controlando nada.
O cenário desenhado para o primeiro semestre de 2026 é sombrio. A urgência pedida por Boulos mostra que eles não querem debate técnico. Eles querem uma vitória política para exibir na campanha eleitoral. O "custo Brasil" vai aumentar, afugentando ainda mais os investidores internacionais. Quem vai investir em um país onde o governo muda contratos privados por decreto?
Nós libertários sempre alertamos: não existe almoço grátis, nem folga grátis. Alguém sempre paga a conta. Neste caso, a conta será paga pelos mais pobres, via desemprego e inflação. A reunião de quinta-feira entre Lula, Boulos e Motta pode selar esse destino. Cabe a nós expor a fraude intelectual por trás dessa medida "bondosa". Defender a liberdade de trabalhar é defender a única via real para a prosperidade.
A tentativa de impor o fim da escala 6x1 via Projeto de Lei de urgência é um ato de populismo econômico que ignora a realidade da escassez. Ao encarecer o trabalho sem contrapartida de produtividade, o governo Lula e seus aliados condenam os mais pobres ao desemprego e à informalidade. A liberdade de contrato é violada e a economia sofre mais um choque de intervenção estatal. A conta dessa "bondade" chegará rápida e pesadamente para toda a população.
https://www.acritica.net/editorias/economia/boulos-lula-votacao-fim-escala-6x1-camara/873121/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/ano-eleitoral-nao-impede-reducao-da-jornada-de-trabalho-diz-ministro
https://www.estadao.com.br/economia/fim-da-escala-6x1-governo-lula-e-empresas-divergem-sobre-impacto-de-reducao-da-jornada-de-trabalho/
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/fim-da-escala-6x1-elevaria-custo-do-trabalho-em-784-diz-estudo-do-ipea.shtml