Jeffrey Epstein falava de FÍSICA AVANÇADA com CIENTISTAS em seus e-mails. Seria ele um ESPIÃO?

Conforme os arquivos de Epstein vão sendo liberados, cada vez mais algumas coisas incomuns parecem só fazer sentido se ele estivesse mesmo envolvido com espionagem. Afinal porque um sujeito que nem concluiu o curso de matemática na Universidade de Nova York, vai trocar mensagens com cientistas sobre temas de pesquisas avançadas, fazer perguntas a esses cientistas, e receber respostas em e-mails contendo neles arquivos anexados de avançados trabalhos científicos? Qual o interesse que um empresário do ramo de finanças, pode ter em informações tão detalhadas sobre pesquisas científicas?

Sabine Hossenfelder é uma cientista pós-doutorada em Física, que trabalhou e pesquisou no LHC, acrônimo em inglês para Grande Colisor de Hádrons, do centro de pesquisa científica mais avançada da Europa, o CERN entre a Suíça e a França, e que possui um canal no Youtube onde comenta sobre Física avançada.

Em um vídeo recente no Youtube Sabine comenta sobre um trabalho seu, feito em parceria com outros cientistas, especialmente um de nome Lee Smolin, e sobre esse mesmo Smolin ter mandado, no dia 10 de Julho de 2010, um e-mail para Lesley Groff (assistente de Epstein), com cópia para o próprio Epstein, onde ele comenta sobre uma publicação da Sabine, e por isso o nome dela aparecer nos arquivos Epstein.

O diabo mora nos detalhes!

Embora Sabine se concentre no seu vídeo em falar sobre sua pesquisa e nos motivos dela ter desistido de seguir nessa linha, o que chama a atenção para quem tem olhos atentos é que esse e-mail mostrado no vídeo, com cópia para Epstein, foi uma resposta, e não um primeiro envio, porque o texto começa assim:

"Prezado Jeffrey

Desculpe pela demora na resposta...."

"DSR, creio que nós falamos a respeito..."

Ele se refere a um assunto muitíssimo avançado, principalmente para a época, 15 anos atrás. Esse acrônimo DSR é sobre o Doubly Special Relativity, que significa Relatividade Especial Dobrada, um conceito de Física muito avançado, relacionado com "gravidade quântica". E então é mencionado o trabalho da Sabine, que levantou questões sobre isso. Se você tiver mais interesse a respeito do assunto, o link do vídeo de Sabine vai estar na descrição.

O que nos interessa aqui não é o trabalho científico em si, mas alguns outros fatos um tanto incomuns.

Jeffrey Epstein obviamente foi uma pessoa bem inteligente, mas não podemos considerar que além de empresário bem sucedido, seja lá quais tenham sido os métodos para atingir tal sucesso, ele tenha sido também um gênio da Física. Ele sequer terminou a faculdade de matemática em Nova York. Tudo bem que não seria o primeiro empresário de sucesso a fazer isso, para focar nos negócios, mas uma coisa é escolher não terminar a faculdade para dedicar-se ao mercado financeiro, tornar-se muito bem sucedido e milionário, podendo ir em reuniões e eventos nas instituições de pesquisa, conhecer os cientistas e procurar conversar sobre o tipos de trabalhos que estão sendo feitos, para fazer doações para as instituições. Tudo isso é possível, e até provável, porque nos EUA é comum milionários fazerem isso, e as instituições de ensino e pesquisa contam com essas doações para custear suas pesquisas. Mas uma coisa bem diferente é o que percebemos nas entrelinhas dessa mensagem de Smolin, onde um cientista responde um e-mail usando uma linguagem técnico-científica como quem tem a confiança de que a outra pessoa vai entender tudo que ele está mencionando, inclusive usando acrônimos como DSR e anexando o seus trabalhos completos da pesquisa que ainda vão ser apresentados, uma coisa comum entre cientistas que desejam que colegas as apreciem e possam dar sugestões de alterações ou melhorias, ou até mesmo abordagens diferente, antes de apresentar oficialmente numa convenção na Europa. É uma atitude de quem estava certo que a contraparte vai ler e entender.

Agora pergunto, como terá sido o e-mail de Epstein ou sua assistente solicitando informações?

É bem provável que esse seja apenas um de muitos e-mails, que visavam atrair o pesquisador, conquistar sua confiança e depois convencê-lo a revelar seus segredos.

Diante da possibilidade de um patrono famoso e milionário, não seria de estranhar que Smolin se empolgasse e entregasse tudo.

Será que as perguntas, comentários, enfim, as conversas que animaram Smolin a enviar seu trabalho para Epstein, vieram mesmo dele ou foram escritas por outros especialistas de outro país e encaminhadas para Epstein enviar a Smolin?

Com essa base de apoio técnico, Epstein poderia dialogar com os cientistas devidamente orientado e assessorado sobre quem abordar, o que perguntar, e o que comentar, e dessa forma adquirir a confiança deles, prometer patrocinar o trabalho deles, pedir para ver e analisar, e obter as pesquisas antes mesmo de serem apresentadas em público.

Se Epstein foi mesmo um espião, essa seria a melhor forma de obter as informações técnicas diretamente das mãos daqueles que as produzem e ainda com direito a tirar as dúvidas.

Afinal, um sujeito que foi oportunista, cafetão, chantagista e extorquiu vários outros empresários, como indica seu histórico jurídico, estar legitimamente interessado em saber mais detalhes de uma pesquisa de física avançada, por puro interesse no conhecimento, é um tanto incomum, não é?

Na minha opinião, Epstein construiu uma rede de contatos muito importante, e sim pode ter espionado para mais de um país. Se o fez, com certeza a Rússia está entre eles, porque é o país que teria o maior interesse em ter um espião tão bem infiltrado circulando e se relacionando entre as pessoas mais influentes nas áreas de negócios, política, ciência e tecnologia dos EUA.

Os indícios não são que ele tivesse sido um agente implantado. Foi apenas um ambicioso jovem de Nova York que não tinha freios éticos, e agarrou todas as oportunidades que apareceram. Fazia suas escolhas com base nas vantagens financeiras compensarem muito mais que os riscos, sempre escolhendo uma abordagem agressiva. Na verdade o tipo de negócios que fez, não é muito diferente do tipo de abordagem das organizações criminosas de diversos países, as máfias, só que ele não era violento, e sim um sujeito manipulador.

Em algum momento, dados os relacionamentos e acesso a pessoas influentes que ele tinha, ele pode sim ter sido abordado por organizações de espionagem, e com a promessa de apoio e recursos financeiros extras, pode facilmente ter sido convencido a trabalhar obtendo informações para os serviços de espionagem.

Sua morte, que é outro assunto de controvérsia, foi muito cheia de situações incomuns e anormais. Se ele tinha inimigos que se esforçariam e teriam os recursos para fazer uma ação de queima de arquivo dentro de um presídio, os que teriam maior facilidade são justamente as agências de inteligência de potências estrangeiras. Não penso que mesmo tendo chantageado e enganado pessoas, dando a elas motivo para o quererem morto, algum deles teria capacidade de providenciar a morte dele numa ação tão bem organizada para desaparecer com evidências, fora a série de coincidências estranhas que permeiam essa noite em que ele morreu, como câmeras que deixaram de funcionar, aparente passagem de alguém no momento em que a câmara faz um reset e fica 1 min fora do ar logo antes da meia-noite, a não ronda dos guardas à noite. Enfim, tudo parece apontar para uma ação provocada, E um indivíduo sozinho, por mais rico que seja, dificilmente conseguiria montar uma operação tão complexa dentro de uma área de alta segurança.

Mas será que esse caso tem algo a nos ensinar, do ponto de vista libertário? Na verdade, tem sim! Primeiro, ele nos ensina que quando é conveniente pra um ou mais países que alguém seja executado dentro do sistema prisional, isso vai acontecer. O estado queima arquivos, e por arquivos entenda arquivos de aproximadamente 1 metro e 80, pesando aproximadamente 84 kg, com uma frequência maior do que imaginamos. Muitos casos suspeitos acontecem com gente que sabe demais. Enfim, claro que pessoas e entidades não governamentais também fazem esse tipo de coisa, mas a diferença é que o estado faz e não é punido. Epstein não valia o que deixava no seu vaso sanitário, mas ele valia mais vivo do que morto. Imagine quantas informações não foram sepultadas com ele? E se de fato ele era um espião, isso mostra o quanto o estado usa e descarta pessoas, conforme é conveniente. E o pior é que não podemos demitir o estado pelas barbáries que ele faz. 

No fim das contas, pelos piores motivos possíveis, Epstein é um daqueles indivíduos que entra para a história e se torna um nome lendário, motivo de filmes e mistérios, como Al Capone, ou Jimmy Hoffa. Talvez nunca saibamos a verdade, pois o estado trata de esconder muito bem os rastros de suas imundícies.

Referências:

https://nymag.com/nymetro/news/people/n_7912/
https://www.youtube.com/watch?v=ZxxNENOBD6w
https://www.thedailybeast.com/jeffrey-epstein-dodged-questions-about-sex-with-his-dalton-prep-school-students/